O filho único ocupa um lugar muito particular dentro do sistema familiar.
Ao não ter irmãos, recebe de forma direta e concentrada o olhar, as expectativas e as projeções dos pais e dos seus sistemas, o que pode traduzir-se numa maturidade precoce, mas também numa pressão emocional significativa.
Observa-se frequentemente que o filho único, desenvolve uma forte ligação ao mundo adulto. Aprende cedo a adaptar-se, a corresponder e a assumir responsabilidades acima da sua idade.
Pode tornar-se autónomo, competente e observador, mas também experimentar momentos de solidão emocional ou a sensação de ter de ser tudo para os pais.
É também por vezes designado simbolicamente como, o filho à beira da porta.
Esta imagem refere-se ao facto de inconscientemente, poder sentir-se dividido entre o sistema materno e o sistema paterno, sem saber para onde orientar o seu olhar interior.
Esta situação pode gerar dúvidas na sua identidade e caminho, receios de pertença e divisão interna.
Do ponto de vista sistémico, torna-se essencial que o filho único não ocupe lugares que não lhe pertencem, como o de parceiro emocional de um dos pais, mediador de conflitos ou sentir-se obrigado a cumprir as expectativas familiares.
Quando tal acontece, pode carregar lealdades invisíveis e pesos emocionais, que limitam o seu movimento na vida.
Quando o vínculo familiar está bem ordenado e as funções bem definidas, o filho único consegue expressar o seu potencial de forma mais equilibrada.
Mantém a sua sensibilidade, profundidade e responsabilidade, mas com a liberdade para construir a própria identidade e, seguir o seu caminho sem divisão ou remorsos.
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