Quando surge uma filha única numa família, recai sobre ela a concentração das sementes de duas linhagens inteiras.
Sem dúvida que isto é uma honra, mas também pode tornar-se um fardo silencioso.
A carga que uma filha única recebe é infinitamente maior do que quando existem irmãos para a repartir. Assim, surge muitas vezes um peso inconsciente que se pode tornar paralisante.
Por ser a única, ela sente a responsabilidade de materializar dons, honrar histórias e evitar a repetição das dores de todo o seu sistema.
Sendo filha única, pode gerar igualmente uma necessidade maior do olhar e amor do seu pai. Com isto podemos ter dois movimentos, o primeiro o de não querer competir inconsciente com a sua mãe, diminuindo a sua força e posição no sistema. Ou, pode aliar-se mais ao seu pai, gerando conflito com o seu feminino e o da sua mãe.
Sem ter com quem repartir o peso da sua história e das suas dores, a filha única tende a desenvolver uma lealdade profunda para com os pais. Essa lealdade manifesta-se, muitas vezes, numa necessidade grande de cuidar deles e de os proteger. O que a leva a perder o seu próprio rumo e a colocar as suas necessidades em segundo lugar.
No entanto, ser filha única é também sinónimo de algo muito profundo, é um indicador de que o sistema se prepara para mudar e que as relações familiares vão ganhar um novo ar.
Quando a filha única passa a sentir essa exclusividade como uma verdadeira potência, reconhece o seu lugar e compreende que veio para fazer diferente, libertando-se das expectativas e moldando o seu próprio destino.
A filha única é, sem sombra de dúvidas, uma mulher intensa e forte, que concentra em si todo o poder e a força da sua árvore.
E tu, és filha única?