A tua mãe já foi menina

Por vezes olhamos para a nossa mãe, apenas pelo papel que ela desempenha. A adulta, a responsável, aquela que cuida e que parece ter sempre de saber o que fazer.

Somos rápidos a julgar e mais demorados a tentar compreender que, para além da mãe, existe também uma mulher que um dia foi menina. Uma criança com sonhos grandes, com medos que nem sempre pôde mostrar e com dores, que muitas vezes ficaram em silêncio.

Houve caminhos difíceis, palavras que talvez nunca tenham sido ditas e sonhos que o tempo ou a vida, acabaram por transformar ou até por destruir.

Muitas vezes julgamos atitudes, silêncios, distâncias ou durezas. Mas raramente paramos para compreender a história que existe por trás de cada gesto. Porque por trás da mãe que hoje vemos, pode existir uma criança que um dia foi muito ferida, muito assustada ou se sentiu muito sozinha.

Às vezes olhamos para a nossa mãe apenas como a mulher forte e a quem exigimos sempre muita responsabilidade. Mas lembra-te que antes de ela ser tua mãe, ela também foi uma menina, com sonhos, desejos e planos que a vida foi moldando.

Lembrarmo-nos disso é um exercício de empatia. É perceber que muita da rigidez, dores ou silêncios, nasceram de caminhos tumultuosos que se calhar ela teve de percorrer sozinha.

Quando reconhecemos a menina que existe por trás da nossa mãe, o amor surge, o julgamento dissipa-se e a empatia revela-se.

Por isso, de vez em quando, lembra-te de algo simples:
A tua mãe também foi uma menina com sonhos, com medos e traumas. Que precisou se calhar de colo e conforto, e que provavelmente, não o teve.

E talvez ao olhá-la assim, consigas compreender um pouco mais da sua história e da tua também.

Consegues ver a tua mãe como uma menina ou sempre como a adulta?

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Daniel Azevedo